Hoje à noite a festa é no Leblon, na Livraria Argumento, onde Ricardo Amaral lança seu “Anos 40 – Quando o mundo, enfim, descobriu o Brasil” (Rara Cultural). Mas, há cerca de oito décadas, a Zona Sul da cidade ainda não concentrada os points dos cariocas. O Centro da cidade, este sim, fervilhava. Escolhemos alguns trechos da obra, que tem pesquisa do jornalista Renato Lemos, em que aparecem lugares que continuam em funcionamento, nos mesmos endereços em que foram fundados. As histórias são deliciosas!

“Na década de 1940, o carioca saía para se divertir nos night clubs do Centro. Em seguida, parava para abastecer nos bares e cafés da Galeria Cruzeiro, no térreo do magnífico Hotel Avenida (posto abaixo em 1957 para a construção do Edifício Avenida Central), e esticava no Dancing Avenida, onde a Orquestra Tabajara dava as cartas. O maestro paraibano Severino Araújo chegara ao Rio em 1944, via Rádio Tupi, e se dedicaria à orquestra pelos próximos 74 anos. No Dancing, as moças marcavam as danças com os cavalheiros em cartelas, como uma comanda, para pagamento no final. Quando saíam dos compromissos profissionais, os músicos buscavam relaxar também nos botequins situados nas ruas dos fundos da Cinelândia – Alcindo Guanabara e Álvaro Alvim.

A Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia, hoje, com sua noite sempre agitada
A Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia, hoje, com sua noite sempre agitada

Outra opção eram as gafieiras populares, que juntavam os artistas do Teatro de Revista, o pessoal do comércio da área e os músicos de primeiro time, tudo na praça Tiradentes. Não raro o pessoal da Orquestra Tupi, que animava a programação da rádio, dava uma canja depois do expediente. Já na praça da República esquina com a rua Frei Caneca, a gafieira Elite era, apesar do nome, mais popular e frequentada pelo pessoal do comércio das redondezas. Os trabalhos começavam cedo, com a Orquestra do Maestro Cipó. Já a Estudantina, fundada em 1938, abria seus janelões para a praça Tiradentes, e contou, em grandes momentos, com a voz potente do ritmista Jamelão, em princípio de carreira à frente dos microfones.

A Elite também continua a mesma
A Elite também continua a mesma

 

A Praça Tiradentes permanece com oum point da boemia no Centro
A Praça Tiradentes permanece com oum point da boemia no Centro

A Taberna da Glória, ali pertinho do Centro, teve seus tempos áureos nos anos Vargas. Dizem, inclusive, que Getúlio, direto do Palácio do Catete, frequentemente pedia entrega do restaurante, cujos carros-chefes eram a dobradinha à moda do Porto e o peito de boi à Argentina. Consta também que foi na Taberna que surgiu o termo “fim de festa”, pois era lá que artistas, compositores, abastados, remediados, devedores e todo tipo de tribo baixava após a night, como dizemos hoje.  (…) A saideira da Taberna era onde a noite terminava. Um clássico da boemia. Após a peregrinação notívaga, era natural que muitos clientes já estivessem duros. E, assim, na Taberna se originou outra verdadeira instituição dos bebuns cariocas: o famoso “Pendura!”, infelizmente em extinção.”

A Taberna: ontem e hoje
A Taberna: ontem e hoje

 

taberna

Dá ou não dá vontade de aproveitar mais a cidade? Se a gente fosse você, antes de flanar por aí, passaria lá na Argumento e sairia com seu almanaque repleto de memórias e curiosidades desse nosso período tão rico da história e da cultura brasileiras.

SERVIÇO
Lançamento “Anos 40 – Quando o mundo, enfim, descobriu o Brasil”
LOCAL: Livraria Argumento do Leblon – Rua Dias Ferreira, 417
DATA: terça-feira, 11 de julho
HORÁRIO: 19h
Entrada franca

Capa Anos 40

Autor: Ricardo Amaral
Editora: Rara Cultural 
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 312
Preço: R$ 54,90

SOBRE O AUTOR
Ricardo Amaral é jornalista, produtor cultural e destacado empresário do ramo de entretenimento, com uma carreira de mais de 50 anos estreitamente relacionada à expressão cultural brasileira. Desde 2010, com o lançamento de seu livro Vaudeville: memórias, vem se dedicando, também, ao mercado editorial, nos papéis de curador editorial e autor.