Por Laura Souza

Armação dos Búzios – ou simplesmente Búzios, para os íntimos – é um município do Estado do Rio de Janeiro. Localizado na Região dos Lagos, o paraíso fica pertinho: aproximadamente 170 km do Rio, ou seja, cerca de três horas de carro.

A península de oito quilômetros que mais parece uma ilha tem mais de 20 praias, algumas com águas mornas e outras, geladas e cada uma com seu charme e características próprias. As mais famosas são Geribá, Tucuns, João Fernandes, Ferradura, Ferradurinha, Armação, Manguinhos, Tartaruga e Brava. A Olho-de-Boi é reservada para a prática do naturismo (sim, que inclui o nudismo).

Praia de Geribá
Praia de Geribá

Em Búzios respira-se história em cada canto, cada esquina conta um pedaço da história da região. A arquitetura é encantadora: as casas preservadas guardam um toque importante de originalidade, simplicidade e elegância, e os detalhes espalhados pela cidade ajudam a enxergar a densidade do patrimônio histórico da região. É uma delícia passear apreciando grandes e pequenas coisas e a beleza natural, é claro!

Considerada como a “Saint-Tropez Brasileira” ou a “Saint-Tropez tropical”, Búzios abriga diversas culturas, com um grande número de estrangeiros. E foi por conta da estadia prolongada de uma estrangeira em particular que o turismo e a ocupação imobiliária começaram na região: Brigitte Bardot. A mais famosa e desejada atriz francesa da época veio para o Rio em 1964 com o namorado Bob Zagury, um marroquino naturalizado brasileiro. Após uma conturbada passagem pela Cidade Maravilhosa, o casal foi para Búzios passar uma temporada. Em uma cidade sem água encanada, luz ou telefone, Bardot desfrutou do verão livre do assédio da imprensa, nadando nua, tocando violão, brincando com os animais, comendo frutas com as crianças e fazendo amizade com os pescadores.

Depois da primeira temporada, Bardot voltou no mesmo ano e passou o Natal com Bob. Mesmo sendo uma curta temporada, sua passagem marcou e influenciou Búzios. Seu espírito de vanguarda, ousado e descontraído, impregnou a cidade. Por isso, a atriz foi imortalizada por Christina Motta: de calça jeans e blusa listrada, ela está sentada em uma mala e foi a primeira escultura a enfeitar a rua à beira-mar que leva seu nome, Orla Bardot, em 1999. Um dos cenários mais fotografados da cidade e que recebe muitos fãs em todas as épocas do ano.

Estátua de Brigitte, na Orla Bardot. Acervo Rara Cultural - Costa do Peró (Fábio Seixo)
Estátua de Brigitte, na Orla Bardot. Acervo Rara Cultural – Costa do Peró (Fábio Seixo)

Pontos de destaque
Armação e Praia dos Ossos
Quando o comércio de pau-brasil entrou em decadência, em 1720, os moradores de Búzios descobriram na caça às baleias uma atividade produtiva. Nessa época foi construída na Praia do Porto uma grande fábrica com as fornalhas para queimar gordura, os tanques para armazenar óleo, a casa-grande dos administradores, a senzala e a Capela de Sant’Anna (próximo item na nossa listinha de destaques).

A ponta da praia ficou conhecida como Armação das Baleias dos Búzios porque ali ficava a armação baleeira, onde o animal era morto para retirada da barbatana. E o nome Praia dos Ossos surgiu naturalmente por ser o local onde eram enterradas as ossadas dos animais.

Na Praia da Armação vale a pena ver a escultura dos três pescadores. Desde 2000 a obra de Christina Motta surpreende os visitantes na orla. Três pescadores em tamanho natural puxam a rede à beira-mar e já confundiram muita gente!

Estátuas de pescadores na Praia da Armação. Acervo: Rara Cultural - Guia Boni & Amaral (Berg Silva)
Estátuas de pescadores na Praia da Armação. Acervo: Rara Cultural – Guia Boni & Amaral (Berg Silva)

Capela de Sant’anna
A charmosa Capela de Sant’Anna foi construída em 1743, no alto da colina entre a Praia da Armação, hoje Orla Bardot, e a Praia dos Ossos, pelo português Brás de Pina, que usou pedras do local e óleo de baleia. A igrejinha tem uma história de lenda e glamour. Dizem que a imagem de Santa Ana foi encontrada no mar por pescadores e que a partir desse dia não faltou mais pesca para a população. Dizem também que, durante a sua construção, a imagem mudava milagrosamente de posição, virando-se em direção ao mar à noite, o que fez com que a capela fosse definitivamente construída voltada para o mar. E até hoje a igrejinha está viva!

 Capela de Sant’Anna. Acervo Rara Cultural - Costa do Peró (Fábio Seixo)
Capela de Sant’Anna. Acervo Rara Cultural – Costa do Peró (Fábio Seixo)

O Quilombo da Rasa
Como herança dos anos de contrabando de escravos, fator importante para a ocupação de Búzios, Campos Novos originou um dos maiores quilombos do estado do Rio de Janeiro.
Mesmo com a proclamação da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, os desembarques eram realizados na região, principalmente nas praias Rasa e das Emerências (que depois se chamaria José Gonçalves, nome do responsável pelo tráfico de escravos). O quilombo surgiu na Rasa e abrigava escravos refugiados de origem africana. Inicialmente, eles se escondiam na Praia dos Negros ou na Praia da Gorda, onde teria se formado a comunidade.
Hoje é fácil identificar pela igrejinha preservada e por uma famosa escultura (também de Christina Motta). Um lugar que vale a visita, afinal não é todo dia que se fica diante dos resquícios de um verdadeiro quilombo!

Gastronomia
Rocka
É difícil imaginar um local mais prazeroso do que este beach lounge em plena praia Brava. Se fosse apenas isso, já estaria bom, mas o cardápio desse restaurante super simples e despojado tem pontos altos como o carpaccio de polvo com aïoli e maçã verde, a lula de Arraial do Cabo recheada com camarão e abobrinha e, para quem se sentir estranhamente farto de frutos do mar, um leitão à pururuca com abacaxi. Várias delícias em um mesmo lugar!

Chef Gustavo Rinkevich, no Rocka. Acervo Rara Cultural - Guia Boni & Amaral (Berg Silva)
Chef Gustavo Rinkevich, no Rocka. Acervo Rara Cultural – Guia Boni & Amaral (Berg Silva)

Praia Brava, 13 – Búzios
Tel.: 22 2623-6159
www.rockafish.com

Sollar Búzios
O criador da Locanda della Mimosa, de Petrópolis, tem em Búzios um restaurante de timbre, com décor que funcionaria também na serra, num salão a meia-luz com mobiliário de madeira de demolição. Tudo isso numa casa histórica, onde o presidente Juscelino Kubitschek se hospedou muitas vezes. Oitenta garrafas de safras diferentes do mítico vinho Château Petrus ornam uma parede. Os peixes vêm da região, exceto a lagosta, que é capixaba. Há massas, com mussarela de um produtor artesanal de Valença, cordeiro do Chile, ceviches, bolinhos de polenta ou de arroz (supplì al telefono), talharim com tinta de lula e o risoto do pescador. O romeu e julieta para sobremesa, levíssimo, é um simpático toque verde-amarelo.

Salão do Sollar. Acervo Rara Cultural - Guia Boni & Amaral (Berg Silva)
Salão do Sollar. Acervo Rara Cultural – Guia Boni & Amaral (Berg Silva)

Avenida José Bento Ribeiro Dantas, 994 – Búzios
Tel.: 22 2623-5392
www.sollarbuzios.com.br

Bar do Zé
Búzios está longe de se destacar pela gastronomia, mas é a cidade típica dos locais “para ver e ser visto”. Chegando lá, é indispensável que o primeiro jantar seja no Bar do Zé, na Orla Bardot. Trata-se do principal ponto de referência da cidade, onde a presença do proprietário – que não tem nada de Zé ou José, mas se chama Estevão Figueira de Mello – é fundamental. A comida é simples, aquele trivial variado. Além do clima gostoso, o pessoal bonito justifica a visita. É chegar lá e pensar: “Sorria, você está no Bar do Zé! Você está em Búzios!”

Bar do Zé. (Divulgação)
Bar do Zé. (Divulgação)

Avenida José Bento Ribeiro Dantas, 382 – Búzios
Tel.: 22 2623-4986
www.bardozebuzios.com.br

Fotos: Divulgação e Acervo Rara Cultural