Por Laura Souza

A Avenida Rio Branco antiga Avenida Central, sempre foi o principal eixo de decisão, convívio e lazer do Rio de Janeiro, servindo como endereço para algumas das mais importantes instituições e empresas do país e constantemente se modernizando no decorrer das décadas. Começando na Praça Mauá e terminando na Avenida Infante Dom Henrique, a avenida de 1.800 metros cruza o Centro da cidade e é a principal marca da reforma urbana realizada pelo prefeito Pereira Passos no início do século XX.

Registro da Avenida Rio Branco por Augusto Malta (Acervo Biblioteca Nacional)
Registro da Avenida Rio Branco por Augusto Malta (Acervo Biblioteca Nacional)

Na época de sua construção, a Rua do Ouvidor era o cenário elegante e exclusivo, representando uma verdadeira entidade carioca no coração da cidade. Lá ficava reunido o comércio de luxo, cafés e chapelarias. Mas eis que surge a Avenida Central (primeiro nome dado à Avenida Rio Branco) e a corta no meio para a modernidade passar – principal marca da reforma urbana realizada pelo prefeito Pereira Passos. E com suas maravilhosas pedras portuguesas, a avenida ofusca a rua e passa a ser a grande referência do Centro.

Por ser o novo eixo central, a nova avenida passa a abrigar poderosas empresas, como a Guinle & Cia., o Lloyd Brasileiro, a Companhia Docas de Santos, além de sedes de importantes diários, como o Jornal do Commercio e o Jornal do Brasil. As esculturais fachadas da sede do Jockey Club e Derby Club também habitavam o logradouro. Como representante da cultura, o belíssimo prédio da Escola Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional. De maneira geral, a avenida concentrava o mundo das altas finanças, da cultura, da gastronomia e dos passeios elegantes.

Avenida Rio Branco (Acervo Biblioteca Nacional)
Avenida Rio Branco (Acervo Biblioteca Nacional)

Não podemos deixar de falar do Palácio Monroe, construção cuja história cruza com a do Rio Branco – ou melhor, com a da Avenida Central. O projeto dado pelo governo para o engenheiro Sousa Aguiar tinha a determinação de que o prédio teria que ser desmontável para que pudesse ser reconstruído no Rio de Janeiro após o final da Exposição Mundial de Saint Louis, no Missouri, em 1904. Dito e feito! Encerrada a exposição ele foi desmontado e despachado para o Rio e rapidamente lá estava ele prontíssimo no final da – adivinhe só! – Avenida Central. E lá ele ficou magnânimo servindo como uma espécie de salão de eventos do governo, depois – após muitas reformas – como sede do Senado e, posteriormente, como sucursal do Senado até sua demolição. Uma pena!

Atualmente, a Rio Branco possui, além de seus prédios históricos – como a Biblioteca Nacional e o prédio dos Guinle (que hoje é sede da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional [IPHAN]) –, muitas outras construções contemporâneas. E sua modernização a faz renascer cada vez mais simpática, versátil e com um charme particular por reunir o passado com o presente de forma tão harmoniosa.

Mudança da Biblioteca Nacional para a Avenida Rio Branco. As caixas transportam o acervo da Biblioteca.
Mudança da Biblioteca Nacional para a Avenida Rio Branco. As caixas transportam o acervo da Biblioteca.

Um exemplo da modernidade que agora habita a Rio Branco é o famoso VLT – o bonde do futuro. O Veículo Leve sobre Trilhos é um projeto da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro que permite a interligação da região portuária ao centro financeiro da cidade e ao aeroporto Santos Dumont de uma forma mais rápida, segura e sustentável. O sistema conecta a cidade toda através das ligações com metrô, ônibus convencionais, terminal de cruzeiros e Aeroporto Santos Dumont. Em breve, quando todas as linhas estiverem em operação, conectará também trens, barcas, BRT Transbrasil e teleférico da Providência. Como a Avenida Central “cortou” a Rua do Ouvidor para que a modernidade pudesse passar, o VLT faz o mesmo com a atual Avenida Rio Branco, unindo o clássico e contemporâneo.

VLT passando pela Avenida Rio Branco
VLT passando pela Avenida Rio Branco

 

E se e alguém tem algo em comum com Pereira Passos, esse alguém é Eduardo Paes. O ex-prefeito do Rio foi responsável por muitas obras e mudanças na Cidade Maravilhosa. Uma delas, talvez uma das maiores, foi justamente a revitalização do Centro da Cidade. Na gestão dele, grande parte da Avenida Rio Branco virou um aprazível boulevard compartilhado por pedestres, ciclistas e VLT, uma espécie de “rambla carioca”.

Além do VLT, a valorização da Praça Mauá, do Cais do Porto, da Avenida Rodrigues Alves e da Gamboa apontam diretamente para um novo olhar para região do Centro da cidade como um todo – onde a Rio Branco ocupa um papel central (com o perdão do trocadilho!).