Por Coluna Gente Boa, 04/12

O Golden Room do Copacabana Palace ficou pequeno para a quantidade de gente que prestigiou as quatro horas de lançamento de “Unidos do outro mundo — Dialogando com os mortos”, primeiro livro de ficção de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Os convidados eram recepcionados por dois estandartes azuis já prenunciando a chegada da bateria da Beija-Flor, escola do coração do ex-diretor da TV Globo, que aproveitou a ocasião para comemorar seus 80 anos, completados no dia 30.

No livro, Boni simula a própria morte para narrar encontros com amigos que já partiram, como Chacrinha, Roberto Marinho, Tom Jobim e Miele. “Acho que a morte tem que ser encarada com alegria. A fórmula é dar muito amor ao longo da vida para ter uma morte feliz”, dizia o autor. Ele citou especificamente Miele, morto em outubro: “Ele foi um grande parceiro, éramos muito ligados. Incluí-lo no livro foi uma homenagem”.

Maitê Proença e Nelson Motta

Uma das primeiras a chegar, Fernanda Tores disse que o livro “não é uma história sobre a morte, é sobre a vida”. Antes de cumprimentar Boni, Ney Latorraca foi até a cozinha tirar foto com as garçonetes. “Boni é amado pelos vivos e pelos mortos. Achei bacana ele tocar nesse tema sob a ótica do humor, dá uma leveza”, comentou. Ricardo Amaral mandou a real: “Eu mesmo nunca escreveria sobre isso, trabalho muito mal com a morte, não a simularia nem de brincadeira”.

Enquanto isso, Maitê Proença esperava pacientemente na fila entre uma taça de champanhe e outra (era Veuve Clicquot), harmonizada com pasteizinhos. “Ficção tem que partir de uma necessidade pessoal, ou então vira um tratado de História, um relato jornalístico. Achei genial a sacada do Boni de escrever sobre os mortos, pensei comigo: ‘por que não tive essa ideia antes’? Fiquei com inveja”, brincou ela, que tem seis livros publicados.

Fernanda Montenegro

Logo Maitê foi questionada pelo assunto da semana: sua nudez (ou não nudez) no programa “Extra Ordinários”, do SporTV, cumprindo (ou não cumprindo) a promessa de tirar a roupa caso o Botafogo conseguisse a vaga de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Manoel Carlos foi um que provocou: “E aí, Maitê, ficou nua ou não?” “Ah, foi só uma pintura…”, respondeu a atriz.

Conhecido por ser caxias com horários, Antonio Fagundes e sua namorada, Alexandra Martins, enfrentaram respeitosamente mais de uma hora e meia de fila. Um dos motivos para a demora eram as longas dedicatórias que Boni fez questão de escrever para cada um. Quem não quisesse esperar — Arlete Salles foi uma dessas — podia só dar um abraço no autor, e os livros autografados seriam entregues em suas casas depois.

Luiza Brunet

Luiza Brunet chegou mais tarde e foi para o final da fila, não antes de dar uma espiadinha. Foi andando, como se desfilasse numa passarela, cumprimentando um e outro. “Boni é um amigo culto, inteligente. Mas não acredito nisso de vida após a morte, não. Acho que nossos problemas nós temos que resolver em vida mesmo”, disse Luiza. Já Cristiane Torloni fugiu da bateria da escola de samba: preferiu ficar sentadinha, vendo a banda passar e se abanando com um leque. Ao posar para uma foto, comentou: “Foi rápido! Eu sou facinha!”. (Por Gabriela Leal)