A candidatura do Cais do Valongo, no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro, foi aceita pelo Centro de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).Patrimonio_UNESCO

O dossiê sobre o local, elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan) e pela Prefeitura do Rio de Janeiro, servirá como base para o trabalho da equipe do representante da Unesco, o arquiteto e arqueólogo argentino Daniel Schávelzon, que visitará a região portuária e o Valongo.

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O Brasil recebeu cerca de 4 milhões de escravos nos mais de três séculos de duração do regime escravagista, 40% de todos os africanos que chegaram vivos nas Américas, entre os séculos XVI e XIX. Destes, por volta de 60% entraram pelo Rio de Janeiro, sendo que cerca de 1 milhão pelo Cais do Valongo.

O local foi desativado como porto de desembarque de escravos em 1831. Em 1843, foi reformado para receber a princesa das Duas Sicílias e de Bourbon-Anjou, Teresa Cristina, esposa do imperador Dom Pedro II, recebendo o nome de Cais da Imperatriz.

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Redescoberto em 2011

Com as reformas urbanísticas da cidade, em 1911, o Cais da Imperatriz foi aterrado. Em 2011, durante as escavações para as obras do Porto Maravilha, ele foi redescoberto e, lá, foram encontrados milhares de objetos, como partes de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava de extrema delicadeza, jogos de búzios e outras peças usadas em rituais religiosos.

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Em 2012, a prefeitura do Rio de Janeiro acatou a sugestão das Organizações dos Movimentos Negros e, em julho do mesmo ano, transformou o espaço em monumento preservado e aberto à visitação pública. O Cais do Valongo passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afro-brasileira na Região Portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.

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Em 20 de novembro de 2013, Dia da Consciência Negra, o Cais do Valongo foi alçado a patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Representantes da Unesco também consideraram o sítio arqueológico como parte da Rota dos Escravos.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura.