Apaixonado pelo Rio de Janeiro, o baiano Antônio Torres costuma transformar a cidade em personagem. Foi assim em Um táxi para Viena d’ÁustriaMeu querido canibal e O nobre sequestrador.

Em O Centro das nossas desatenções, como um flâneur pelo Centro do Rio, o autor (imortal pela Academia Brasileira de Letras) caminha por becos, bares e lugares marcantes e encontra a história do Brasil por todas as esquinas. E assim apresenta um olhar encantado por aquilo que a gente não vê, que a gente deixa escapar na correria diária: toda a poesia do coração da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Publicado originalmente em 1996, como parte da coleção Cantos do Rio, o livro foi relançado, em 2015, pela Editora Record, em novo projeto gráfico e ilustrado.

antonio_SAIDA

Um trechinho:
“Comecemos pelo Aeroporto Santos Dumont, onde um dia um rapaz de 20 anos chegou, olhou a cidade de longe e foi embora. Eu me lembro: era uma bela tarde de janeiro, o mês do Rio. Céu de brigadeiro. O esplêndido azul de Machado de Assis. O azul demais de Vinicius de Moraes. Ano: 1961. (…)

Já que não podia sair, contentou-se em olhar a distância a cidade que só conhecia de prosa e verso, cinema e canções. E tudo nela, que vinha dela, o fascinava. E dava medo. Imaginava-a fora da rota dos imigrantes, inatingível para principiantes. O Rio era a Corte – dos sabidos e malandros. (…)

Voltaria ao Rio um dia, para vê-lo de perto, entrar nele, conhecê-lo nas solas dos seus sapatos, se para tanto não lhe faltasse coragem. E algum preparo. O Rio não era uma cidade para capiaus, tabaréus da roça.”

Mais detalhes
Editora: Record
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 80
Preço: 30,90