Você sabia que o Maracanã poderia estar em Jacarepaguá? E que 56,8% dos cariocas foram favoráveis à construção do então “maior estádio do mundo” no terreno que ele ocupa hoje?

Presenteamos os leitores do nosso Rio Book Guide com um trecho caprichado de uma das muitas histórias e curiosidades do recém-lançado “Anos 40 – Quando o mundo, enfim, descobriu o Brasil” (Rara Cultural), de Ricardo Amaral.

Boa diversão!
foto maraca aérea


MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL

“(…) em meados de 1947, achar um lugar de consenso para plantar o novo estádio ainda era uma missão quase impossível. O prefeito Mendes de Moraes lutava para que fosse usado o terreno do Derby Clube, onde pouco tempo antes se realizavam corridas de cavalo. Naqueles anos, o espaço era utilizado pelo Exército para guardar tanques de guerra e paiol de munição. A favor, era considerado que o local era bem próximo ao Centro da cidade, da linha do trem e dos bairros da Zona Norte e do subúrbio.

Do outro lado da batalha estava a verve política de Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Mendes de Moraes e com lábia suficiente para levar parte da população aonde quisesse. Para Lacerda, o novo estádio deveria ficar pros lados de Jacarepaguá, numa tentativa de expansão da cidade em direção ao Oeste. Oscar Niemeyer chegou a rabiscar um projeto para o estádio de Jacarepaguá. Quando teve que tomar uma posição, o Jornal dos Sports, de Mário Filho, fincou sua bandeira ao lado dos defensores do terreno do Derby Clube.

Havia também os que achavam que não deveria ter novo estádio em Jacarepaguá, nem no Derby – talvez só na Conchinchina. A Câmara de Vereadores recebia estudos feitos na ponta do lápis, mostrando a quantidade de hospitais, creches e escolas que poderiam ser feitas com metade do concreto que seria gasto para a Copa.

(…) As pendengas jurídicas e políticas em torno do local da construção duraram até o fim de 1947, quando Mendes de Moraes – com a ajuda fundamental de Mário Filho e sua artilharia pesada nas páginas cor-de-rosa do Jornal dos Sports – bateu o martelo. Apoiado por 56,8% dos cariocas, segundo dados do Ibope, ele decretou que o novo estádio seria, sim, construído no terreno do Derby Club (àquela altura já se unira ao Jockey Club Brasileiro e, de lambuja, receberia um acréscimo no terreno que possuía à frente do Jardim Botânico, um aterro da Lagoa Rodrigo de Freitas), na beiradinha de um rio tranquilo que descia das encostas da Tijuca e desaguava no canal do Mangue até chegar ao mar da baía de Guanabara%3