Há quem diga que não há mal humor, dor de cotovelo ou qualquer outra tristeza que resista a uma feira livre das boas. O colorido, os aromas, a propaganda dos produtos pelos feirantes, a plenos pulmões, os trocadilhos para as moças bonitas, as piadas entre as barracas, a degustação das frutas (em algumas, nem é preciso tomar o café da manhã depois)… Tudo é muito cheio de vida.

Além de todas essas atrações, que são capazes de dar inveja a qualquer hortifruti organizado e com som ambiente discreto, há algumas feiras livres que viraram points, no Rio. Os motivos são variados:  a localização em praças tranquilas, barraqueiros que capricham um pouco mais na seleção dos produtos e no atendimento, iniciativas inusitadas e por aí vai.

Começamos nossa série com três feiras queridinhas dos cariocas e um prato cheio (com perdão do trocadilho) para quem visita o Rio. Aí vai:

Feira da Augusto Severo – GLÓRIA, aos domingos
A barraca de pastel, bolinho de aipim com carne e caldo de cana reúne tanto gente que foi fazer a feira da semana, como aqueles que chegaram de manhã em casa, depois de uma noite de sábado bem aproveitada. Localizada na Glória e aos pés de Santa Teresa – bairros escolhidos por muitas pessoas que trabalham na área cultural – a feira da Augusto Severo ganhou um charme a mais com a circulação de artistas plásticos, atores, músicos, escritores, jornalistas.

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Barraca de pastel e caldo de cana da feira da Augusto Severo: programa das manhãs de domingo


Feira da General Glicério – LARANJEIRAS, aos sábados
No mesmo dia e junto à feira livre da Rua Prof. Ortiz Monteiro, em Laranjeiras, acontece uma feira de artesanato e cultural na Rua General Glicério, que há anos conta com a tradicional apresentação do Choro na Feira, grupo de música instrumental de choro e samba. O público se senta no chão, em volta dos músicos, sempre há muitas crianças e cachorros e, até, um certo clima paquera no ar. Uma barraca de caipinhas e caipivodkas é o passaporte pra quem quer relaxar ainda mais. E como a feira livre fica logo ali, com seus pasteis e tapiocas, ninguém fica com fome. Mas atenção: só tem chorinho se São Pedro ajudar e não chover.

O grupo Choro na Feira em ação na feira da General Glicério
O grupo Choro na Feira em ação na feira da General Glicério

Feira da Araripe Júnior – ANDARAÍ, aos domingos
A maior atração dessa feira no Andaraí é mesmo o Sushi Barcellos. Personagem de muitas matérias sobre achados gastronômicos em feiras livres, há alguns anos Arnaldo Barcellos teve uma grande sacada quando, dono de uma barraca de peixes, começou a oferecer sashimis cortados na hora para os clientes, depois de perceber que a culinária japonesa estava em alta entre os cariocas. O resultado dessa ideia simples é, hoje, o restaurante volante Sushi Barcellos, que aporta em várias feiras livres da cidade, entre elas a da Araripe Júnior. O cardápio é digno de qualquer japa instalado em ponto fixo, e a prova da qualidade da comida é a grande quantidade de clientes que chegam a todo instante, se acotovelam com seus hashis no balcão e nas mesinhas que invadem a calçada ao lado do trailer. Ah! Tem chopp, é gelado e servido em caneco de vidro.

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O sushi na feira com chopp é o maior charme na feira da Araripe Júnior