Por Laura Souza

O Rio é uma cidade musical. Na rua ou no transporte público, em um boteco ou na praça, a cada esquina é possível ouvir uma nota. Seja de pandeiro, de violão ou de um simples cantarolar, a música ressignifica a interação do morador com sua cidade, promovendo modificações no imaginário e no cotidiano urbano.

Aproveitando que o sol apareceu novamente, subiu o termômetro e voltou a colorir os dias no Rio, o Rio Book se inspirou e preparou uma playlist que é a cara da Cidade Maravilhosa. Com aquele clima de calor, praia e sol, a “Rio Coleção Primavera-Verão” dá o tom da carioquice.

Para quem tem as letras dessas músicas na ponta da língua, que tal saber um pouquinho mais sobre a história de sua criação?

Aquele Abraço

Gravada em 1969, a música manda “aquele abraço” para várias entidades cariocas, desde Chacrinha à torcida do Flamengo. Gilberto Gil conta em seu site oficial que meses depois de solto, veio ao Rio resolver sua saída do Brasil com o Exército. Finalmente ele poderia ir embora do país e precisava se despedir de tudo o que ele tinha vivido por aqui. E que forma melhor para um músico fazer uma catarse como essa senão em uma canção?

A expressão repetida diversas vezes também é explicada por Gil: era a forma como os soldados o saudavam no quartel, um bordão vindo do programa do humorista Lilico. E quando “Aquele Abraço” é endereçado a Realengo, a intenção do compositor era citar uma prisão da zona norte, fazendo referência ao tempo em que ficou preso.

Gil manda "Aquele Abraço"
Gil manda “Aquele Abraço”

Rio 40 Graus

A expressão que não sai da boca dos cariocas – ainda mais nos dias em que os termômetros chegam aos famosos 40 graus – lembra imediatamente versos compostos por Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Carlos Laufer. O clássico da música pop brasileira foi gravado em 1992, no disco “SLA 2 Be Sample”.

No ritmo da batida do funk carioca, “Rio 40 Graus” é uma homenagem de Fernanda Abreu para a cidade que ela declaradamente tanto ama. A música se tornou uma espécie de hino moderno do Rio. Mesmo após 25 anos de sua gravação, a expressão “cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos” nunca foi tão atual.

Fernanda Abreu mandando seu recado
Fernanda Abreu mandando seu recado

Menino do Rio

Lançada em 1968, a música foi composta por Caetano Veloso e imortalizada na voz de Baby do Brasil.

O tal menino do Rio que inspirou Caetano foi José Artur Machado, mais conhecido como Petit. Ele frequentava a praia de Ipanema e marcou época por ser um dos mais talentosos surfistas dos primórdios do esporte no Brasil, em meados da década de 1970. Seu jeito descompromissado, os fios de cabelo desbotados por conta do sol, o corpo escultural, o sorriso aberto e, é claro, o dragão tatuado no braço foram eternizados na canção que até hoje tem seus versos no imaginário carioca.

Caetano Veloso na época de "Menino do Rio"
Caetano Veloso na época de “Menino do Rio”

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Fotos: Divulgação.