São muitos os lugares do estado que apontam para a história e a atualidade indígena do Rio de Janeiro: Sepetiba, Cachambi, Tijuca, Catumbi, Ipanema, Guaratiba, Inhaúma, Jacarepaguá, Irajá, Paraty, Itaboraí, Niterói, Itaguaçu, Itatiaia… Não apenas pelos nomes, mas fundamentalmente pela cultura e pela história do Rio, afinal, grande parte do “ser carioca” é inseparável de sua herança indígena – o próprio termo “carioca” advém, segundo registros etnográficos, da aldeia tupinambá Kariók, localizada aos pés do que hoje é o Outeiro da Glória. A presença indígena no Rio, no entanto, não é amplamente visível, nem reconhecida, é uma história que ainda se mantém encoberta, silenciando a enorme contribuição dos índios à vida cotidiana dos cariocas e à capacidade de imaginar o futuro.

Com a proposta de refletir sobre a realidade indígena no Rio de Janeiro hoje, bem como sobre o passado que desaguou nesse presente, a equipe de pesquisa e educação do MAR e sob curadoria de Sandra Benites, José Ribamar Bessa, Pablo Lafuente e Clarissa Diniz, em colaboração de povos, aldeias, movimentos e indígenas que residem no estado e na capital carioca, conceberam a exposição “Dja Guata Porã – Rio de Janeiro indígena”, em cartaz no Museu de Arte do Rio – MAR até 4 de março de 2018.

A mostra é dividida em diferentes núcleos e apresenta ao público aproximadamente 260 peças – entre vídeos, fotografias, maquetes, objetos, instalações e desenhos –, entre outras novidades criadas pelos indígenas para a exposição, entrecruzadas com documentação e iconografia histórica sobre algumas das mais importantes questões dessa memória, obras que estarão nas galerias A e B do 3° andar do Pavilhão de Exposições do MAR.

MAR-DJA-GUATA-PORÃ

O público terá a oportunidade de vivenciar uma aula de história e se integrar com a atualidade indígena no Rio de Janeiro. Uma linha do tempo, em forma de cobra, irá mostrar, de maneira clara, textos, imagens e documentos apontando para as relações, frequentemente violentas, entre os povos colonizadores e os indígenas. A cobra vem como protagonista de narrativas da origem de vários povos, advertindo-nos, por meio dos mitos que traz consigo, de outras historicidades e futuros possíveis. Em sua trajetória%2