Por Laura Souza

Que nossa querida Cidade Maravilhosa é cheia de encantos mil todo mundo sabe. Cartão postal do Pão de Açúcar, fotografias do calçadão de Copacabana com suas ondas pretas e brancas e gravações de novelas já são rotina. Mas o Rio tem paisagens tão lindas que muitas vezes foi pano de fundo nas telas de cinema também… E deu um charme a mais para os filmes em que estrelou.

O Rio Book listou cinco filmes nacionais e cinco internacionais que trazem o Rio de diversas formas. E para completar o passeio cinematográfico, preparamos uma playlist com as trilhas sonoras. É para ouvir e assistir, prestigiando a cidade!

INTERNACIONAIS

Alô, amigos (1942)
A animação conta com a primeira aparição de Zé Carioca, o papagaio cheio de malemolência criado para representar o Rio nos estúdios Disney após Walt visitar a Cidade Maravilhosa e se encantar por ela. Em uma excursão pela América do Sul, o turista americano Pato Donald chega em terras cariocas. Aqui, Donald conhece os pontos turísticos, prova uma caipirinha e aprende a sambar acompanhado de Zé Carioca.

O Homem do Rio (1964)
Dirigido por Phillipe Broca, a comédia franco-italiana contava uma história de espionagem no estilo Indiana Jones e James Bond, com o roubo, num museu francês, de uma estátua de uma civilização amazônica desaparecida. Jean-Paul Belmondo interpreta o investigador que deve viajar ao Brasil e resgatar a pobre Françoise Dorléac. Logo que desembarca no Santos Dumont, Belmondo vai para a Cinelândia, onde acontecia uma feira de livros na rua, como ainda acontece até hoje. Os produtores não perderam a chance e alteraram o roteiro: o personagem, completamente perdido, vai até uma barraca da EBAL (a lendária Editora Brasil-América, especializada em história em quadrinhos, que encerrou suas atividades em 1995), imaginando que ali saberiam falar inglês! Aborda uma bela morena e, sem ter como continuar conversa, parte dali para uma série de aventuras. A tomada mostra em detalhes uma romântica e saudosa Cinelândia.

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Jean-Paul Belmondo em cena

007 Contra o Foguete da Morte (1979)
James Bond já passou – e continua passando! – por todos os lugares do mundo. Não é de se surpreender que o famoso agende 007 tenha dado um pulo no Rio de Janeiro. No filme, Roger Moore, que interpreta o protagonista, teve que lutar com serpentes gigantes, dar uma volta nas cataratas e conheceu o nosso Carnaval em “um dos lugares mais exóticos do mundo”, conforme o próprio trailer do filme descreve. Esse não poderia deixar de estar presente na lista pela icônica cena da luta de James Bond com o vilão em cima do bondinho do Pão de Açúcar. Um verdadeiro clássico do cinema!

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O 007 de Roger Moore

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 (2011)
No penúltimo filme da Saga Crepúsculo, o jovem casal Bella e Edward – interpretados por Kristen Stewart e Robert Pattinson – se casam. Para a lua de mel, eles escolhem um lugar reservado – por Edward ser um vampiro que brilha na luz do sol, é claro! –, romântico e paradisíaco. A ilha escolhida pelos pombinhos é fictícia, mas as cenas foram gravadas no Rio e em Paraty.

Velozes & Furiosos 5 – Operação Rio (2011)
A franquia mega explosiva, cheia de cenas de ação e carros turbinados trouxe seus personagens para o Rio para gravar o quinto filme da série. Além de encher o roteiro com brasileiros como bandidos perversos e traficantes perigosos, o filme tomou algumas “liberdades poéticas”, como mostrar o Museu de Arte Moderna (MAM), uma verdadeira instituição carioca, como o Aeroporto Internacional do Rio. Outra cena que causou um certo estranhamento no público local foi a que mostra os carros que os policiais brasileiros utilizam – que nunca foram os mostrados no filme. Mesmo assim, o público brasileiro lotou os cinemas e garantiu uma bilheteria considerável na trama de Vin Diesel e do finado Paul Walker.

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O elenco de Velozes e Furiosos 5

NACIONAIS

Todas as mulheres do mundo (1966)
O filme teve a musa Leila Diniz como protagonista e é uma ode ao amor. O que nem todo mundo sabe é que a trama de estreia de Domingos de Oliveira como diretor foi, na verdade, produzido para reconquistar Leila – sua ex-mulher – e que ela foi a inspiração para a história. A crônica sobre a vida ociosa dos cariocas da zona sul do Rio de Janeiro nos anos 60 foi um verdadeiro sucesso de público e crítica. Se Domingos atingiu seu objetivo principal, não sabemos, mas até hoje a obra é considerada como uma das melhores comédias do cinema brasileiro.

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A musa Leila Diniz

A Dama do Lotação (1978)
A terceira maior bilheteria da história do cinema brasileiro é de um filme baseado na obra de Nelson Rodrigues. A trama, que levou 6,5 milhões de espectadores aos cinemas para ver o Rio dos anos 1970, é de Neville de Almeida e traz Sonia Braga e Nuno Leal nos papéis principais. Com trilha sonora de Caetano, “A Dama da Lotação” conta a história de uma mulher violentada pelo marido que não consegue mais ser tocada por ele. No intuito de provar para si própria que não é frígida, ela vai para os coletivos seduzir os homens que cruzam seu caminho. A cara de Nelson Rodrigues!

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Cartaz do filme “A Dama da Lotação” com Sonia Braga

O que é isso, companheiro? (1997)
Dirigido por Bruno Barreto, o filme foi parcialmente baseado na obra homônima de Fernando Gabeira. Estrelado por grandes nomes como Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Matheus Nachtergaele, Luiz Fernando Guimarães e com uma participação especial de Fernanda Montenegro, a trama se passa no Rio de Janeiro na época da ditadura militar. Com a já mencionada “licença poética”, a história gira em torno do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil por integrantes dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e Ação Libertadora Nacional, que lutavam contra o regime militar instaurado no país em 1964. Baseado em fatos reais, “O que é isso, companheiro?” concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano em que foi lançado.   

Tropa de Elite (2007 e 2010)
As obras de ficção que retratam a realidade das ações e do cotidiano do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar – mais conhecido como BOPE. José Padilha trouxe para as telas o olhar do famoso Capitão Nascimento – em uma interpretação fortíssima e marcante de Wagner Moura – e fez uma denúncia social da realidade de violência urbana que a maioria das pessoas vive no Rio de Janeiro, seja morador da favela, do asfalto, policial ou bandido: ninguém sai imune.

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Wagner Moura interpretando o icônico Capitão Nascimento

Heleno (2011)
A cinebiografia do jogador de futebol do time do Botafogo na década de 1940 mostra a trajetória de Heleno de Freitas. Bonito, refinado e talentoso, ele era considerado o príncipe da era de ouro do Rio de Janeiro. O gênio explosivo dos campos, interpretado por Rodrigo Santoro, acabou tendo um fim muito triste e solitário. As cenas em preto e branco e a riqueza e o cuidado na caracterização dos cenários e personagens do filme transportam o espectador para a época em que a cidade era só glamour, elegância, cassinos, hotéis e salões tradicionais que funcionavam na época.

Confira a playlist!

Fotos: Divulgação.