Todo carioca é ilustre. Todo carioca é uma festa. Não importa se na repartição, no supermercado, no táxi, na multinacional ou na mesa do boteco. Sem o carioca o Rio não passaria de uma paisagem bonita pra inglês ver.

Mas tem um carioca das antigas que se destaca… Boa-pinta, agradava muito às mulheres, discreto, pero no mucho, preparado, de poucos amigos próximos, filho de família carioca de raiz, abastada. Surgiu no jornalismo como um colaborador da coluna de Carlos Swann, no primeiro caderno de O Globo. Ali Zózimo Barrozo do Amaral realizou seu trabalho, seguindo as regras do jogo, mas já dando o seu tom, deixando sua marca. Quando partiu para o voo solo no Jornal do Brasil, mostrou a sua cara. Criou um novo estilo. O inconfundível estilo Zózimo.

Um carioca ilustre que faltou (Zózimo - Acervo da família)

Ele dava furos? Inúmeros! Ele corria atrás da notícia? Não, ela ia atrás dele. Muitas vezes chegava à redação sem uma nota sequer.  Com apenas dois ou três telefonemas montava a mais intrigante, interessante, elegante e hilária coluna. Era um crítico sutil. Com inteligência praticava um jornalismo ao mesmo tempo irônico, elegante, crítico, divertido. Era dono do mais saboroso humor! Um texto único. Uma referência fundamental e uma leitura obrigatória. Os amigos costumam dizer que ele exercitava cotidianamente o mais puro amor por esta cidade. E personificava a comunhão do lazer e da boemia com o trabalho.

“A irreverência, a pena afiada e a busca incansável da notícia foram a marca registrada de Zózimo Barrozo do Amaral”

disse José Augusto Ferreira dos Santos na abertura do livro Zózimo Diariamente, escrito em 2005 pelo filho do jornalista, Fernando Barrozo do Amaral.

Zozimo-Barrozo-do-Amaral-capa

Sua forma correta de viver com uma dose de grande irresponsabilidade era deliciosa. O bom pai, o respeitoso profissional e suas famosas “pirulitadas”… era quase impossível de entender. E quem disse que é fácil decifrar um carioca?

Zózimo sempre teve num quadro atrás de sua mesa de trabalho uma frase: “Enquanto houver champagne, há esperança” – frase que veio a ser o título de sua biografia, escrita por Joaquim Ferreira dos Santos.

zozimo

Seu espírito carioca, comportado e livre, sério e brincalhão, transformado em coluna diária, encantou a todos. Como um verdadeiro patrimônio do Rio, ele foi imortalizado pelo artista plástico Roberto Sá. Sua estátua fica no Leblon e mostra um Zózimo que parece ter acabado de sair da redação. Uma bela cara do Rio!

zózimo estátua praia do leblon inaugurada em 2001