O brasileiro é um povo que tem muitas crenças e muita fé. Essa nossa herança pode ter se iniciado no politeísmo indígena, mas veio, principalmente, após a colonização portuguesa. Muito católicos, não era de se estranhar que passassem os valores cristãos para o povo da terra que descobriram. E nessa aura de fé que envolve a cidade até hoje, não existe símbolo que melhor nos represente do que o Cristo Redentor.

A ideia de sua construção foi de um padre francês – mais um indício de que nossa cultura de fé é europeia – chamado Pierre-Marie Bos, em meados do séculos XIX. Jesus Cristo no topo de uma montanha (no caso, o Corcovado) não foi uma ideia bem aceita inicialmente; nem mesmo para a Princesa Isabel, que era católica fervorosa. Somente em 1922, por conta da preocupação do presidente Artur Bernardes com o civismo e a religiosidade e após o centenário da Independência, a ideia foi retomada como forma de exaltar a honra e glória de Jesus Cristo.

A ideia contagiou a todos. O cardeal D. Sebastião Leme fez uma campanha para arrecadar fundos para a obra que mobilizou escolas, instituições, associações e, claro, todos os fiéis da Igreja Católica. Foram festas, quermesses, rifas, moças da sociedade que foram às ruas “passar o chapéu”, todos envolvidos na tarefa de possibilitar que o Rio fosse a residência do Cristo. O sonho – e a realização! – de ter o Todo-Poderoso abençoando lá do alto a cidade é um belíssimo e histórico registro da capacidade de mobilização dos cariocas.

Após toda essa mobilização, foi feito o concurso para a criação da estátua. Quem ganhou foi o arquiteto Heitor da Silva Costa com a sua versão do Cristo segurando uma cruz em uma das mãos e o mundo, em forma de globo, na outra. Isso mesmo: o primeiro Redentor não estava de braços abertos. A miniatura foi feita e ficou exposta no Centro da cidade. Pronto! Virou o “Cristo da bola”. Sim, o carioca zoou o Cristo. O apelido se espalhou e fez com que os envolvidos na obra arquitetônica solicitassem uma “pequena” alteração.

O Cristo da Bola
O “Cristo da Bola”: com o globo e a cruz na mão

Lá foi Heitor de volta às pranchetas! E, segundo a história conta, ele fitou o Corcovado e viu uma enorme antena – de onde foi feita a primeira transmissão de rádio do país –, que parecia uma cruz e que tinha a mesma forma vista de qualquer lugar. Bingo! Nada melhor do que o Cristo ter forma de uma cruz: além de conter dois simbolismos em uma só imagem, também proporcionava uma melhor visibilidade de qualquer ponto onde fosse visto.

Heitor da Silva Costa
Heitor da Silva Costa com a pequena estátua do Cristo na versão de braços abertos

Daí veio o maior monumento do Brasil, inaugurado em 1931. De braços abertos sobre a Guanabara, eleito uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno e um dos mais belos monumentos de art déco do mundo, a estátua do Cristo Redentor é a imagem brasileira mais reconhecida mundialmente.

Cristo Redentor
Cristo Redentor

Com toda sua imponência, além de ser um ponto turístico que atrai muitos visitantes e de fazer os cariocas se sentirem abençoados quando veem a sua imagem, o Cristo ainda é engajado: ele muda sua cor para destacar e apoiar campanhas e parcerias. Para chegar até ele, o melhor meio é o trenzinho, passeio que é uma atração à parte em meio à Mata Atlântica.

O trenzinho do Corcovado
O trenzinho do Corcovado

 

Serviço
Local: Rua Cosme Velho, 513, Cosme Velho.
Tel.: 2558-1329
Funcionamento: das 8h às 19h

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Fotos: Acervo Rara Cultural e divulgação.