Por Laura Souza

Meio escondido entre as construções do Centro Histórico do Rio, está ele: o último remanescente dos arcos que ligavam ruas e praças do Centro antigo. O Arco do Teles abre uma passagem entre a Praça XV e a Travessa do Comércio. Obra do engenheiro brigadeiro João Fernandes Pinto Alpoim (o mesmo que projetou e construiu o Paço Real), por séculos foi a via de acesso mais importante da cidade.

Boa parte da história do Rio flui por este beco que hoje é sinônimo de boemia. Mas a estrutura dos tempos coloniais – sua construção data por volta de 1743 – faz parte do patrimônio histórico da cidade, tem importância arquitetônica e cultural e representa uma parte importante da vida da cidade ao longo de diferentes épocas.

A construção do local se deve ao patriarca da família Teles, Dr. Francisco Barreto Teles de Meneses. Sobre o arco ficavam as luxuosas moradias dos patriarcas da família Teles. Mas nem só de Teles se fazia o Arco. Uma das casas na Travessa do Comércio foi de ninguém menos que Carmen Miranda – muitos anos após a construção do Arco e antes da sua fama internacional, é claro! No sobrado de número 13 era onde sua mãe vendia suas populares quentinhas.

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Arco do Teles no século XIX

Entre outros fatos históricos está o incêndio que tomou conta do Senado da Câmara (que funcionava na construção que contém o arco), em 1790. O fogo tomou todo o prédio e foi um dos maiores incêndios do período do Brasil Colonial. As perdas foram enormes: além do prédio e do armazém que tinha embaixo, incontáveis documentos e arquivos.

O trágico acontecimento não deixou opções senão uma reconstrução imediata. E assim foi feito: uma reforma que conseguiu preservar detalhes das construções originais, que hoje podem ser notados por quem caminha pelo local, que conserva o calçamento antigo, de pedras, que remete aos primeiros calçamentos feitos no Rio.

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Arco do Teles nos anos 60

O Arco do Teles sobreviveu à onda de demolições causada pelo movimento modernista do século XX e atualmente é tombado pelo patrimônio histórico. Cercada por grandes edifícios comerciais, a área mantém suas características históricas: além dos casarões antigos, é uma área destinada apenas para pedestres.

Esses ares de Rio antigo são enriquecidos pela realidade atual. Hoej em dia é referenciado como espaço gastronômico e cultural. O Arco e seus bons bares, restaurantes com clima descontraído e até música ao vivo e cafés são palcos para concorridos happy-hours e eventos gratuitos. As mesas nas calçadas e a intensa circulação de pessoas dá vida ao local que tanta história já testemunhou.

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Cruzar o Arco do Teles, seja somente de passagem ou para aproveitar sua diversificada estrutura de serviços, é caminhar pela história do Rio. História que pode ser curiosa, divertida ou trágica, mas que é muito rica e, acima de tudo, faz parte da nossa Cidade Maravilhosa.

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Informações do Local:

Praça Quinze de Novembro, 34 A – Centro