Por Laura Souza

O Rio de Janeiro, por ser uma cidade maravilhosa, inspirou – e inspira até hoje! – uma série de clássicos da nossa música. Além disso, os compositores e cantores cariocas marcaram época através de suas canções atemporais. Hoje o Rio Book conta um pouco a história de três deles (e suas obras, é claro!). Apresentando: Chiquinha Gonzaga, André Filho e Pixinguinha!

Os três cariocas ilustres deixaram um legado que dificilmente será esquecido. Quem não se empolga ao ouvir os primeiros versos da ode ao Rio de Janeiro, a famosíssima “Cidade Maravilhosa”? Ou quem não sabe cantar os versos de “Carinhoso”? E quem é “da lira e não pode negar”? Não há quem não conheça – e não goste!

Chiquinha Gonzaga
Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a nossa Chiquinha Gonzaga, foi uma compositora, pianista e maestrina que causou escândalo em sua época. Ela marcou a história da cultura brasileira e da luta pelas liberdades no país pelo seu pioneirismo em enfrentar a sociedade patriarcal e atuar no ambiente musical. Chiquinha foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

chiquinha gonzaga

Falando em pioneirismo, foi ela que compôs a primeira canção carnavalesca do país, em 1899. A maestrina morava no Andaraí, onde também era a sede do cordão Rosa de Ouro. Inspirada pelos ensaios, Chiquinha escreveu os versos:

Ó Abre Alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negar
Ó Abre Alas
Que eu quero passar
Rosa de Ouro
É quem vai ganhar

Em ritmo de marcha-rancho, não poderia ter outro nome: “Ó Abre Alas”! Após mais de 100 anos de sua composição, a música já foi interpretada por diversos artistas e nos mais variados ritmos. Já inspirou samba-enredo, da Unidos do Porto da Pedra, e até ganhou uma versão na batida do funk carioca, com MC Leozinho.

Chiquinha Gonzaga foi homenageada pela primeira Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que instituiu o Dia Nacional da Música Popular Brasileira no dia de seu aniversário. Para comemorar a data o artista plástico Ralfe Braga fez uma gravura exclusiva e belíssima – que é a nossa imagem em destaque.

André Filho
Em 1934, Antônio André de Sá Filho (mais conhecido como André Filho) compôs a música “Cidade Maravilhosa”. No ano seguinte, a canção ficou em segundo lugar no concurso de marchinhas, perdendo para “Coração Ingrato”, gravada pelo cantor Silvio Caldas.

andré filho

Perder o primeiro lugar foi mesmo ingrato, mas houve uma mobilização popular em favor da marcha perdedora e no Carnaval de 1935 a música explodiu. Foi a mais tocada nos bailes e nas rádios. O público a elegeu e a abraçou como um verdadeiro hino do Rio.

Entre as suas mais de 200 composições – entre sambas, marchinhas e canções românticas –, André Filho ainda não sabia nessa época, mas deu à cidade o melhor presente que poderia dar: o carinhoso (e imortal!) apelido de “Cidade Maravilhosa”.

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil

cidade-maravilhosa

Pixinguinha
Alfredo da Rocha Vianna Filho, o famoso Pixinguinha, nasceu em 1897. Considerado por muitos pesquisadores e escritores como o mais importante compositor brasileiro de todos os tempos, Pixinguinha cresceu no meio dos chorões. Sua casa era o ponto de encontro para nomes como Heitor Villa-Lobos e outros grandes músicos e compositores de sua época.

pixinguinha

Autodidata, ele entrou na Orquestra do Teatro Rio Branco com apenas 14 anos. Com a flauta que era quase do seu tamanho, o músico não parou mais. Passou a tocar em cinemas, teatro e gravações. E como se não bastasse ser um expoente na flauta, ele se tornou um mestre no saxofone.

Sobre ele, Ary Vasconcelos faz a seguinte declaração:

“Se você tem quinze volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido: escreva depressa: Pixinguinha”.

Quando compôs “Carinhoso”, ele revolucionou a forma clássica do choro. E a canção até hoje continua sendo uma  das obras mais importantes da música popular brasileira.

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim foges de mim

Para homenagear os artistas cariocas, o Rio Book preparou uma playlist inspiradora com versões dessas músicas que marcaram época.