Por Laura Souza

Seus primeiros moradores, os tamoios, a batizaram com um nome que – pelo menos nos dias atuais – não condiz com a realidade. “Ipanema” queria dizer “água ruim”. E, contrariando nossos antepassados, o bairro e sua belíssima praia inspiraram tendências e modismos que tomam conta da cidade – e até do país. Foi de lá também que saiu uma das canções mais executadas da história: “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.  


bar veloso anos 60
Bar Veloso, onde surgiu a música "Garota de Ipanema”
Bar Veloso, onde surgiu a música "Garota de Ipanema"[/caption]

Entre a moradia dos índios e o palco das modas e da musa inspiradora dos poetas, Ipanema percorreu um extenso caminho. E começou a ser o bairro valorizado que conhecemos hoje por conta de um empreendedor paulista chamado – adivinha só! – barão de Ipanema. Na verdade, eram dois: pai e filho. O pai começou o desafio de transformar o imenso areal – na época chamado de “Villa Ipanema” – em objeto de desejo. E o filho, o segundo barão de Ipanema, iniciou a construção do bairro em um empreendimento visionário.

Se hoje em dia a vista de Ipanema convence as pessoas a tornarem-se moradoras do bairro, naquela época a tarefa não era tão fácil. Mas o segundo barão foi o mestre no marketing imobiliário. O chamariz para a venda dos terrenos foi a qualidade do ar da região. Como a Villa Ipanema era longe das áreas centrais, que eram as mais contaminadas, e por ser abençoada pelo constante vento vindo do mar, seria obviamente mais segura para a saúde dos seus futuros moradores.

De lá para cá, muita água passou por baixo da ponte. Ou seria debaixo do píer? Pois foi diante de uma armação de madeira e ferro construída no mar de Ipanema que se deu o auge da efervescência do bairro. O píer, que sustentava a tubulação do emissário submarino, foi um dos maiores símbolos da década de 1970. Era nas “dunas do barato” que a “geração do desbunde” se encontrava. Foi lá que a ousada Leila Diniz deixou a sociedade de queixo caído quando apareceu grávida e de biquíni, que o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira apareceu de tanga e que vez ou outra as mulheres estavam com os seios à mostra, praticando o “topless”, que atraía olhares dos mais curiosos. A região também foi considerada como o berço do surf no Brasil. Um território livre da caretice, onde tudo podia se experimentar. Transgredir era a palavra de ordem!

O lendário píer (Foto: Agência O Globo – Sebastião Marinho)

Para o escritor e cartunista Jaguar, autor do livro Ipanema, se não me falha a memória, “o Arpoador desponta como um dos espaços mais significativos da memória dos antigos frequentadores das praias de Ipanema”. Foi nas areias da paradisíaca praia que Glauber Rocha, Jô Soares, João Saldanha e Carlos Leonam iniciaram o costume de bater palmas para o pôr do sol. E que pôr do sol! Um dos cenários mais lindos da cidade é um verdadeiro espetáculo da natureza.

E foi assim que Ipanema se tornou um dos mais charmosos bairros do Rio e que hoje oferece várias opções de bares, hotéis e restaurantes e onde recentemente reabriu o icônico Hippopotamus.

Já falamos de alguns estabelecimentos do bairro aqui no portal. Confira os links abaixo e monte seu roteiro. Afinal, não se pode desperdiçar nunca a oportunidade de passear pelo poético bairro da Garota de Ipanema.

Hotéis

Fasano 

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                                                                   Foto: Acervo Rio Book / Rara Cultural (Estúdio Líquido)

Sol Ipanema Hotel

 

 

Restaurantes

Fasano Al Mare

Gero Ipanema 

Pici Trattoria 

pici                                                                                Prato do Pici Trattoria 

Bares

Venga!

Salão do Venga! (Foto: Acervo Rara Cultural / Guia Boni & Amaral [Berg Silva])

Astor e Subastor

Baretto-Londra

 

Hippopotamus

Local: Rua Barão da Torre, 368 – Ipanema

Tel.: 3577-4101 / 3577-4102 / 3577-4103

Contato: clubhippo@clubhippo.com.br

Mais informações, aqui!

Post do Rio Book, aqui

Club Hippo

O repaginado Club Hippo

 

Feira Hippie de Ipanema

Desde 1968, em plena ditadura militar, a Praça General Osório se tornou um ponto de encontro para artistas plásticos e artesãos.

Uma das características mais marcantes da feira são os hippies e mochileiros vindos de diversas partes do Brasil e do mundo envolvidos com o movimento hippie da época. No início, os expositores não tinham barracas; colocava-se um pano no chão para cada um mostrar seus trabalhos de forma meio improvisada.

Nessa época, a Feira Hippie de Ipanema era como uma grande família, todos se ajudando mutuamente e vivendo na maior filosofia “peace and love” (paz e amor). Com o passar dos anos, a feira com toda sua diversidade de trabalhos tornou-se conhecida internacionalmente, sendo visitada por turistas e apreciada por todos e dando um toque especial à Cidade Maravilhosa.

Local perfeito para encontrar trabalhos de pintura e artesanato exclusivos e para conhecer (e reconhecer) um Brasil com uma diversidade infinita de materiais e inspirações para os artesãos confeccionarem seus produtos, que vão do mais simples ao mais sofisticado, agradando a todos os públicos.

hippie

Artesanato na Feira Hippie

 

Praça General Osório – Ipanema

www.feirarteipanema.com

Todos os domingos, das 8h às 19h