Por Laura Souza

A concorrência pelo tamanho é desleal: pontos turísticos belíssimos e monumentais contra estátuas em tamanho real de personalidades que marcaram a história da cidade. Ainda assim, as esculturas em bronze têm um poder de atração de cariocas e turistas que é quase inexplicável. Famosas por dar um toque poético à paisagem e por despertar a curiosidade dos transeuntes, as Estátuas do Rio são paradas obrigatórias para fotos e para conhecer um pouco mais de seus legados.

E que legado! Na série de hoje dois artistas das palavras: Nelson Rodrigues e Manuel Bandeira.

 

Nelson Rodrigues

Um homem de muitas facetas: teatrólogo, jornalista, romancista, folhetinista, cronista de costumes e de futebol brasileiro e simplesmente o maior e mais influente dramaturgo do Brasil de todos os tempos, responsável por revolucionar o teatro nacional.

O escritor que acreditava que toda unanimidade é burra influencia até hoje filmes, novelas e produções literárias. Suas obras, entre peças teatrais, romances, contos e crônicas, vão muito além de palavras escritas. O pernambucano entendia a essência das pessoas, principalmente do brasileiro (e seu complexo de vira-lata!).

montagem Nelson RodriguesAo seu mudar para o Rio, Nelson adotou a cidade como sua. Era torcedor fanático do Fluminense e morador de Copacabana. É lá, inclusive, onde está sua estátua. Inaugurada em 2016 e feita pelo artista Edgar Duvivier, a réplica de ferro e bronze do escritor tem 1,80 m e fica na Praça Inhangá. Que tal uma visita ao polêmico escritor no bairro que, segundo ele, tem sete domingos por semana?

 

Manuel Bandeira

Outro pernambucano que também se mudou para o Rio de Janeiro com a família e, depois de passagens por São Paulo e Europa, acabou por morar em Copacabana. Manuel foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Além de suas poesias, prosas e antologias, ele lecionou na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio e traduziu para o português obras de William Shakespeare e Garcia Lorca.

Manuel Bandeira 3

Bandeira é considerado parte da geração de 1922 da literatura moderna brasileira e junto com outros importantes escritores, como Clarice Lispector, representa o melhor da produção literária do estado de Pernambuco. Com estilo simples e direto, permeado por alguma melancolia, ele foi eleito para ocupar a cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1940.

O Manuel Bandeira de bronze foi inaugurado pela ABL em 2007 e fica na interseção da Rua Santa Luzia com Avenida Presidente Wilson, no Centro do Rio. Obra do escultor Otto Dumovich, a estátua é incomum: segurando uma caneta, o poeta se encontra sentado em uma escrivaninha cheia de detalhes, que vão desde cadernos e livros até uma xícara e uma pequena escultura. Vamos passear pelo Centro e visitar o ilustre escritor antes que ele vá embora pra Pasárgada?

Manuel Bandeira