Até o final dos anos 90 a Tijuca, principalmente no pedaço da praça Saens Peña, era conhecida como “a segunda Cinelândia carioca” ou “Cinelândia da Tijuca”, a meca cinematográfica da Zona Norte. Era um espaço público ímpar na geografia urbana carioca. As opções de cinemas de rua eram inúmeras: Olinda (o maior cinema da América Latina, com 3.500 lugares), Metro Tijuca, Bruni Tijuca, Carioca e América, entre outros.

Hoje temos nos mesmos lugares igrejas, lojas e farmácias. E algumas salas foram completamente demolidas. O Metro Tijuca, por exemplo, deu lugar à C&A e o Olinda, ao Shopping 45.

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Pesquisadora e jornalista, Talitha Ferraz mostra em seu livro A Segunda Cinelândia Carioca: cinemas, sociabilidade e memória na Tijuca relatos e lembranças de moradores e frequentadores que construíram ali uma rotina de lazer. E também de pessoas ligadas ao mercado de exibição. Assim, chega aos principais fatores do fechamento das salas e da transformação do bairro: a mudança na mentalidade das plateias, as novas dinâmicas do espaço urbano, a chegada da TV e a migração das salas de cinema de rua para os shoppings, entre outros. A obra resgata um período importante no desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro.

Cinema Olinda em 1972 25.07.1972 - Rubens Seixas - Front of the Cinema Olinda in Tijuca quarter
Cinema Olinda em 1972 

Talitha é carioca. Doutora em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da UFRJ (ECO-UFRJ), desenvolveu pesquisa pós-doutoral no Centre for Cinema and Media Studies da University of Ghent (CIMS-UGent) sobre o tema das reaberturas de salas de cinema. É professora nos cursos de Jornalismo, Cinema e Design da ESPM-Rio. O livro é resultado da sua tese de mestrado.

Editora Mórula
240 páginas
R$ 35,00

Fotos: divulgação