Por Laura Souza

"Até o século XIX, os banhos de mar e a praia eram indicados apenas para fins de tratamento de saúde, outra ideia importada da Europa. Na verdade, até 1810 ninguém aproveitava a praia, seja para nadar, seja para se bronzear na areia. Nesse ano, como já falamos, D. João VI teve de mergulhar na praia do Caju, hoje Zona Portuária, para cuidar da perna infeccionada por… um carrapato! E ficou curado!

banhos de mar como tratamento de saúde

Até 1860, praia significava imundície, como já contou Gilberto Freyre. As areias eram quase um lixão com lodo, carcaças de bichos e excrementos. Com a propaganda de D. João VI, surgiu uma preocupação com o assunto e a Corte portuguesa entrou na onda (literalmente). Apareceram as primeiras casas de banho terapêutico, com piscinas com água do mar e lugar para guardar as roupas. A praia de Santa Luzia, por exemplo, era indicada para mulheres que não conseguiam engravidar. Quem diria que foi um carrapato que inaugurou o hábito que hoje lota a orla da cidade!"

Nossas histórias e curiosidades sobre a formação da cidade e sobre seus personagens são retiradas do livro "A Cara do Rio", de Ricardo Amaral e Raquel Oguri (Rara Cultural).

a cara do rio