Por Laura Souza

O carioca o botequeiro. Faz parte da nossa cultura o hábito de tomar aquele chope gelado e jogar conversa fora nas mesas de um bar ou de um botequim. E é por isso que muitos deles se tornaram verdadeiros patrimônios da Cidade Maravilhosa.

Os bares tombados não oferecem somente o prazer de ser amigo do garçom, conhecer o dono pelo nome e já saber de cor as delícias do cardápio. Mais que isso, trazem um pedacinho da história do Rio junto com eles: foi lá, que entre porções de acepipes e bebidinhas, se escreveu boa parte dela!

Para conhecer a autêntica boemia carioca, a verdadeira alma da cidade e entender o apreço do carioca pela informalidade, não tem jeito: só pedindo uma gelada com a especialidade da casa, puxando papo com o garçom (chamado pelo nome, é claro!) e celebrar o Rio de Janeiro.

Aproveite o passeio com o Rio Book por esses lugares democráticos – da Zona Sul à Zona Norte –, que proporcionam uma sensação única de pertencer à carioquice!

 

Armazém São Thiago

Jesus Pose Garcia veio lá da Espanha para o Rio de Janeiro. Após uns bicos, em 1919, comprou o estabelecimento e deu o nome de Armazém São Thiago em referência à Santiago de Compostela. Anos depois, em 1955, chega também da Espanha seu sobrinho-neto, José Gomez Cantorna (Seu Gomez), que ainda hoje vem ao Armazém e vira o centro das atenções com suas histórias dos velhos e bons tempos. “Seu Gomez” durante muitos anos atendeu a freguesia com seu carisma inigualável e por isso o Armazém ganhou o apelido de Bar do Gomez.

Após o falecimento do filho do fundador, em 2003, o neto Ricardo Pose Garcia iniciou uma reforma a fim de recuperar a arquitetura da época do seu avô, restaurando todos os móveis e utensílios conforme fotos e documentos achados de 1923, bem como seu nome original.

Hoje, o típico botequim carioca de época, como anuncia a placa na entrada da casa, dá a impressão de que entramos em um Rio de Janeiro que já desapareceu. O verdadeiro espírito de um botequim se mantém, assim como o cardápio tradicionalíssimo: cervejas, charutos cubanos, chopp, frios e petiscos, vinho, whisky e, é claro, um lugar especial só para as cachaças. Com mais de 100 rótulos disponíveis, tomar uma cachacinha no Armazém São Thiago – ou Bar do Gomez, como o cliente preferir – é uma forma especial de viajar ao passado e conhecer melhor um dos bairros mais bucólicos e boêmios do Rio – Santa Teresa.

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Rua Áurea, 26 – Santa Teresa

2232-0822

www.armazemsaothiago.com.br

 

Bar do Adonis

O tradicional bar da Zona Norte abriu as portas em 1952, mas foi em 1960 que o imigrante português Seu Antero comprou o estabelecimento para oferecer o melhor da culinária portuguesa. Hoje, a administração do bar já está na sua terceira geração e a procura só aumenta. O Bar do Adonis chama atenção de cariocas e turistas, atraídos pelo chope bem tirado e pelos deliciosos pratos preparados com bacalhau. Confirmando a fama, o bar recebeu o título de melhor chope, em 2009, e melhor bolinho de bacalhau, em 2010.

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Rua São Luiz Gonzaga, 2.156, loja A – Benfica

Tel.: 3890-2283

facebook.com/baradonis

 

Bar Lagoa

Inaugurado nos anos 1930, é um clássico da boemia da cidade. Às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, inspiração para seu nome, a casa segue com sua decoração preservada, com itens históricos como a chopeira antiga e o mármore Carrara que reveste grande parte do salão Art Déco. A eterna mística do mau atendimento, ao qual nem os antigos habitués estariam imunes, permanece presente, apesar de muita gente jurar que jamais foi mal atendida ali. O cardápio é o destaque do local, com tudo preparado sempre no capricho. O segredo da receita de salada de batatas é um verdadeiro patrimônio, assim como o chope primoroso e sempre cremoso, que garante o retorno do cliente.

Avenida Epitácio Pessoa, 1674 – Lagoa

Tel.: 2523-1135

www.barlagoa.com.br

 

Casa Villarino

Inaugurada em 1953 e estrategicamente localizada no centro do Rio de Janeiro, logo virou símbolo e referência da boemia carioca, onde ao final do expediente, poetas, intelectuais, músicos, trabalhadores da justiça e da economia e outros profissionais, amantes de uma boa bebida e um bom papo pra descontrair, se encontravam. Frequentado por ícones como Di Cavalcanti, Pancetti e Ary Barroso, foi na mesa de número 1 que nasceu uma das mais intensas parcerias da música brasileira, entre Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Por conta desses ilustres frequentadores, um painel ocupa uma parede inteira do bar como uma forma de homenagem – e de mostrar aos clientes atuais a honra que é estar sentado, talvez, na mesma mesa que um deles sentou no passado. Ou quem sabe até servir de inspiração?

Hoje, a Casa Villarino funciona como um misto de bar e delicatessen tradicional (onde se pode encontrar bebidas e comestíveis finos, nacionais e importados), e tem entre os pratos mais pedidos o bacalhau à Gomes Sá.

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Avenida Calógeras, 6, loja B – Centro

Tel.: 2240-9634

www.villarino.com.br

 

Pavão Azul

Próximo à Praia de Copacabana, é um pé-sujo para lá de tradicional. Aberto em 1957, o bar continua o igual, mesmo tendo mudado de gestão em 1977. As iguarias são preparadas no capricho! Destaque para as pataniscas de bacalhau e o risoto de camarão: as pérolas a casa. Mas os pastéis e os sanduíches de pernil e carne assada não ficam para trás. Existem, ainda, outras opções deliciosas de pratos com toques caseiros. Tudo servido nas tradicionais mesas na calçada.

Rua Hilário de Gouveia, 70, lojas A e B – Copacabana

Tel.: 2236-2381

facebook.com/pavaoazul

 

Restaurante Café Lamas

O bar mais antigo da cidade! Foi aberto em 1874, no Largo do Machado, e desde então tornou-se tradicional ponto de encontro de políticos, escritores e músicos. Desde sua fundação, o Restaurante Café Lamas – ou só Lamas, para os íntimos – sempre foi um dos mais famosos estabelecimentos gastronômicos da cidade. O amplo e tradicional cardápio, com receitas famosas de fíle mignon alto, sempre atraiu cariocas e turistas nacionais e internacionais.  

Originalmente inaugurado na Rua do Catete, se mudou após 102 anos para o atual ponto, na Rua Marquês de Abrantes, devido às obras decorrentes da instalação do Metrô, em 1974. Outro lugar, mesmo serviço impecável. Com ambiente acolhedor e ótimo atendimento, o Lamas é daqueles lugares onde é fácil se sentir à vontade e de onde se sai muito satisfeito!

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Rua Marques de Abrantes, 18 – Flamengo

Tel.: 2556-0799

cafelamas.com.br

 

Restaurante Salete

Aberto em 1957 pelo espanhol Manolo, o pequeno restaurante ganhou fama com a melhor empada do Rio. O nome do estabelecimento vem da devoção do dono por Nossa Senhora da Salete. Ao fundo do salão, é possível ver a imagem da Santa, colocada por ele e intocada até hoje.  O tradicional ponto na Tijuca, com azulejos azuis e brancos nas paredes, tem influência da culinária espanhola e, além das empadas de massa caseira, também faz sucesso por conta de suas fartas porções do risoto de camarão e deliciosas pizzas.

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Rua Afonso Pena, 189 – Tijuca

Tel.: 2214-0408

facebook.com/RestauranteSalete.oficial